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Aproveitando o ensejo iniciado pelo meu último post, trago o assunto Astronomia novamente como um gancho, mas com um viés diferente. Falo aqui da gama de projetos que teve início com o SETI@home (veja o blog brasileiro). SETI é a sigla anglófona para Busca por Inteligência Extraterrestre, e é um conjunto de atividades rigorosamente científicas na busca por vida alienígena iniciadas em 1961 e é comumente associada ao nome de Carl Sagan. O famoso astrônomo da série de televisão Cosmos, cujo mérito foi levar a ciência dos astros mais próxima dos telespectadores. Algo foi feito, por Marcelo Gleiser, no Fantástico da Rede Globo; acredito que de maneira mais modesta talvez, pelo veículo e pelo horário, mas de mérito equivalente.
A associação não é indevida! Sagan utiliza o SETI como importante fator para dar embasamento e verossimilhança entre ficção e realidade, no seu romance "Contato" (1985), que em 1997 rendeu uma ótima adaptação homônima para os cinemas, estrelando Jodie Foster.
Mesmo que Sagan não tenha sido criador do projeto SETI, acabou divulgando-o de maneira interessante, ao mostrar em sua obra o radiotelescópio de Arecibo, no México, em que uma gigantesca antena receptora tenta captar sinais de rádio de todo o Universo. O que chegou a "acontecer" uma vez! O pressuposto é simples: uma vez que a humanidade envia, há quase um século, sinais de rádio pelo espaço, desde que começaram as primeiras transmissões. Sendo essa forma de energia eletromagnética, uma das mais rápidas conhecidas, é possível supor que caso alguma civilização extraterrena possua uma poderosíssima antena consiga captar com alguma fidelidade, a transmissão de Heartbreak Hotel em 1956.
O processo inverso se daria conosco: uma civilização avançada faria uso do rádio, talvez a tempo suficiente para que essas transmissões cheguem aqui. E aqui que entra o real motivo para esse post: a antena capta milhares de sinais que podem ser somente energia eletromagnética na frequência do rádio que nada significa além de um constante zunido. Mas para processar toda a imensa quantidade de dados recebidos, o centro de Arecibo, e nenhum centro de processamento no mundo teria capacidade para tantos bytes de informação.
E para isso surgiu a computação distribuída e voluntária! Dando origem ao Seti@home, cuja base informacional é fornecida pela Universidade de Berkeley. O esquema é simples: você baixa o programa e o deixa rodando quando o computador está ocioso, assim ele vai processando pequenas quantidades de informação que são depois reenviadas ao projeto. O meu - que deixo ligado o tempo todo - está trabalhando agora mesmo. Esse sistema de computação distribuída e em grade é incrivelmente poderoso, já alcançando milhares de computadores pessoais, resulta em alta taxa de processamento.
O mais interessante é que uma vez aberto os precedentes gigantescos do Seti@home, outros projetos "@home" surgiram e se tornando acessíveis muitas vezes sem sequer necessitar baixar outro software e perder mais memória RAM. Intercalando o tempo na base da Universidade de Berkeley, você pode se alistar em projeto que analisa informações do famigerado LHC (meu caso). Ou monitorar a possibilidade de impactos de objetos próximos à Terra; prever estruturas de proteínas a partir de suas sequências; prever e desenhar estruturas de proteínas; e muuuuitos outros projetos.
Temo que o post tenha ficado excessivamente longo. Mas é só pra mostrar que mesmo veja-se prejudicado em algum momento pelo uso de sua memória RAM, (caso que é só fechar o programa) o aplicativo BOINC e respectiva entrada em um ou mais projeto(s), pode fazer você uma célula de um incrível tecido a nível mundial que utiliza processamento comum em busca de soluções das mais variadas que são postas pela ciência contemporânea. Da busca por Aliens à cura da AIDS e do Câncer.