Depois de uma semana de luto, voltamos à nossa programação normal, com uma homenagem aos Python, à literatura e... p%¨& leiam ae!

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Hoje têm início as aulas! Ah, a famigerada universidade, o objetivo de mais de uma década no ensino fundamental e médio. Como a de muitas pessoas a minha escolha não veio do berço. Au contraire, eu acreditava que ia ser algum cientista com jaleco verde (só pra subverter a branquidão do sistema) com líquidos brilhantes em tubos de ensaio e um mega telescópio saindo pela janela. Yeap, a coisa ficou um pouco adormecida por uns anos após o início da adolescência e voltou no ano decisivo: prestei vestibular pra Astronomia! E não passei!
Não foi tão simples! Assim que saiu o resultado positivo do já extinto PAIES, já tive que ir fazer as provas da Astronomia (e voltar correndo pra Filosofia)! Poucas vagas, pouco estudo meu, resultado previsível, e esperado! Não falo por derrotismo (per favore hã!), mas por vontade que sentia dia a dia de fazer História, de ver que os astros ainda terão que ficar pra depois, de entrar em algo que primeiro talvez não seja vocação, mas que (muitos talvez não acreditem): abrirá muitas portas. Isso não é algo que te falam, nem pra animar (ainda mais com um "curso de professor" na boca pequena). Perceber que posso ter uma vida toda dedicada à história ou à filosofia não é mera profissão, certamente é uma vocação. E nem isso eu sinto, mas sinto que é algo que me levará à tal vocação, seja lá quanto tempo isso dure. É algo que se sente!
Com a opção da Astronomia vedada, e o curso de História na Universidade Federal em Uberlândia como salvaguarda, confirmada, só restava saber o resultado do vestibular de Filosofia. Que também foi positivo! Hey agora teria que escolher entre as duas humanidades... E cá que a figura do post já mostra qual é!
Eeeeenfim! Mas e de onde veio essa vontade quase preternatural de conhecer todo o tecido existencial que nos permeia, molda e cujo legado nos pesa sobre os ombros da consciência ? (Será isso a História?)
Afora minha definição por demais metafísica, eu que até um anos antes ainda considerava ser um engenheiro, acredito que minha motivação pelos estudos é bem explicada pelo arqueólogo Edward Thompson:
"O historiador escava o passado pela mesma razão que o engenheiro escava a terra: para garantir o futuro"
Engenheiro ou historiador parece que de fato eu queria garantir o futuro! E essa citação eu encontrei num lugar muito especial, o meio que responde ao título desse post: uma herança!
Pilares podres?
O sentimento de "ter que ser professor" travava-me o olhar sobre as ciências humanas. Não me sentia confortável em estudar e ter que aturar todo tipo de apuro que um professor passa e receber pouco como um professor recebe. Mas esse acabou se tornando um detalhe, cujo papel será decidido pelo andar do curso, da disponibilidade e oportunidades que surgirão (ou não). O curso em si, e não a profissão, foram me chamando atenção após ler um livro que é polêmico há exatos 25 anos!
E justamente por isso eu me pergunto: minha escolha se apoiou sobre pilares podres? O livro em questão já é bem conhecido: Operação Cavalo de Troia. E alguém agora deve estar rindo! A questão sobre a polemicidade desse livro é bem simples: o que tá escrito nele é verdade ou não? Ponto final. Mas acredito que é aí que eu pude confiar que meus pilares não vieram da mão de Benítez! Se for mentira, não terei apoiado de fato minha escolha no livro, terei apoiado na forma como o livro é escrito. De seu livro veio a mim a história do Filho do Homem. Verdade ou não, tem seu apelo literário, político, religioso, e diga-se de passagem, científico. E isso me atraiu, de modos tais que conhecer as fontes, os meios, os costumes, os lugares, os enredos de tudo que nos precedeu para compreender o passado e passar uma nova mensagem ao presente é algo fenomenal!
Golpe de Misericórdia
A decisão de fazer História veio quando a herança chegou às minhas mãos. E tinha vários motivos pra me atrair:
- Fala sobre arqueologia, quando Indiana Jones ainda não existia;
- É uma obra germânica, cultura que adoro;
- É um livro, que
- Pertencia ao meu bisavô, que nunca conheci.
O tal livro chama-se: Deuses, Túmulos e Sábios,[1] escrito em 1949 e já não me lembro bem como veio parar por aqui, só lembro que minha mãe, assim como minha tia, afirmou já ter folheado bastante o livro, vendo algumas fotos, mas nunca pegou-o para ler, mas mistério a parte e destino a frente o único dos livros que sobreveio ao meu avô e veio parar aqui era justamente uma obra prima! E terá um post à parte logo em seguida.
Nesse futuro post eu discorrerei sobre qual é o diferencial desse livro. Mas aqui, para explicar qual é o motivo presente naquelas páginas já amareladas pelo tempo que me levou à definição eu digo: ele mostra que a História é mirabolante! A melhor ficção é essa palatável, sabor de realidade das descobertas sobre um outro mundo no nosso.
Alguns dias de debruçamento sobre o romance de uma difícil arte de desenterrar o passado. Assim como eu sentia que um pouco do meu passado, com a assinatura de posse do meu bisavô. E eis que a resolução estava tomada! Mas ainda há mais quem lembrar aqui: a "tia" da pré-escola, que praticamente finalizou minha alfabetização, e anos mais tarde foi minha professora de História e assim permaneceu, quase sempre, até o último dia de Colegial. Pouco mais que uma década no mesmo ambiente de troca de idéias, conversas e estudos. Por coincidência ou destino, nos meses em que eu acabava de tomar minha decisão, ela virou até minha tia "emprestada"!!!
E cá estou, com anos de estudo pela frente pra pegar tudo que o mundo deixou para trás!
![[Notas]](http://i642.photobucket.com/albums/uu148/Delemonw/Notas_headsection.png)
- ↑ - Artigo da wikipédia criado por mim a partir de informações do próprio livro e das versões em inglês e alemão. ISBN 8506045533
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Ao som de:
"Cry Wolf" de a-ha"Down to the waterline" de Dire Straits