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Computação distribuída {4 Comentários}

quarta-feira, abril 08, 2009 por em: , ,

Seti@home e computação distribuída: Carl Sagan e antenas gigantes
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Aproveitando o ensejo iniciado pelo meu último post, trago o assunto Astronomia novamente como um gancho, mas com um viés diferente. Falo aqui da gama de projetos que teve início com o SETI@home (veja o blog brasileiro). SETI é a sigla anglófona para Busca por Inteligência Extraterrestre, e é um conjunto de atividades rigorosamente científicas na busca por vida alienígena iniciadas em 1961 e é comumente associada ao nome de Carl Sagan. O famoso astrônomo da série de televisão Cosmos, cujo mérito foi levar a ciência dos astros mais próxima dos telespectadores. Algo foi feito, por Marcelo Gleiser, no Fantástico da Rede Globo; acredito que de maneira mais modesta talvez, pelo veículo e pelo horário, mas de mérito equivalente.

A associação não é indevida! Sagan utiliza o SETI como importante fator para dar embasamento e verossimilhança entre ficção e realidade, no seu romance "Contato" (1985), que em 1997 rendeu uma ótima adaptação homônima para os cinemas, estrelando Jodie Foster.

Mesmo que Sagan não tenha sido criador do projeto SETI, acabou divulgando-o de maneira interessante, ao mostrar em sua obra o radiotelescópio de Arecibo, no México, em que uma gigantesca antena receptora tenta captar sinais de rádio de todo o Universo. O que chegou a "acontecer" uma vez! O pressuposto é simples: uma vez que a humanidade envia, há quase um século, sinais de rádio pelo espaço, desde que começaram as primeiras transmissões. Sendo essa forma de energia eletromagnética, uma das mais rápidas conhecidas, é possível supor que caso alguma civilização extraterrena possua uma poderosíssima antena consiga captar com alguma fidelidade, a transmissão de Heartbreak Hotel em 1956.

O processo inverso se daria conosco: uma civilização avançada faria uso do rádio, talvez a tempo suficiente para que essas transmissões cheguem aqui. E aqui que entra o real motivo para esse post: a antena capta milhares de sinais que podem ser somente energia eletromagnética na frequência do rádio que nada significa além de um constante zunido. Mas para processar toda a imensa quantidade de dados recebidos, o centro de Arecibo, e nenhum centro de processamento no mundo teria capacidade para tantos bytes de informação.

E para isso surgiu a computação distribuída e voluntária! Dando origem ao Seti@home, cuja base informacional é fornecida pela Universidade de Berkeley. O esquema é simples: você baixa o programa e o deixa rodando quando o computador está ocioso, assim ele vai processando pequenas quantidades de informação que são depois reenviadas ao projeto. O meu - que deixo ligado o tempo todo - está trabalhando agora mesmo. Esse sistema de computação distribuída e em grade é incrivelmente poderoso, já alcançando milhares de computadores pessoais, resulta em alta taxa de processamento.

O mais interessante é que uma vez aberto os precedentes gigantescos do Seti@home, outros projetos "@home" surgiram e se tornando acessíveis muitas vezes sem sequer necessitar baixar outro software e perder mais memória RAM. Intercalando o tempo na base da Universidade de Berkeley, você pode se alistar em projeto que analisa informações do famigerado LHC (meu caso). Ou monitorar a possibilidade de impactos de objetos próximos à Terra; prever estruturas de proteínas a partir de suas sequências; prever e desenhar estruturas de proteínas; e muuuuitos outros projetos.

Temo que o post tenha ficado excessivamente longo. Mas é só pra mostrar que mesmo veja-se prejudicado em algum momento pelo uso de sua memória RAM, (caso que é só fechar o programa) o aplicativo BOINC e respectiva entrada em um ou mais projeto(s), pode fazer você uma célula de um incrível tecido a nível mundial que utiliza processamento comum em busca de soluções das mais variadas que são postas pela ciência contemporânea. Da busca por Aliens à cura da AIDS e do Câncer.

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4 Comentários sobre "Computação distribuída"

Francisco em 9 de abril de 2009 20:54

Sómente agora, pude fazer uma visita ao teu blog.
O teu post, é muito, mas muito bom mesmo!
Quero comentá-lo, após lê-lo novamente, com calma e a atenção que ele merece.
Voltaremos!!
Um abraço

 

Diego? Glommer? em 12 de abril de 2009 22:22

Cara, não conhecia isso.

Mas achei muito interessante.

Sei que não tem nada a ver o que vou dizer, mas: quando criança eu morria de medo de ets. :S

Enfim, em algum lugar há vida extraterrestre, pelo menos eu creio.

Abração.

http://solucomental.blogspot.com
http://ladobdiscotrash.blogspot.com

 

Lis em 13 de abril de 2009 20:39

Poxa vida, não sabia da existência destes programas e muito menos que estão disponiveis para todas as pessoas!! Acredito,que o motivo principal seja a falta de conhecimento!! Eu mesma não saberia me mexer...Perguntinhas básicas,tá? Não me ache besta hahahaha Mas o meu compt captaria estas transmissões elas seriam enviadas diretamente para o compt. central la nos EUA? Seriam apenas as informações captadas ou arquivos pessoais podem ser rastreados tb ( contas,dados pessoais...) e por último,existe uma sei lá,corregedoria para monitorar o uso destas informações? Elas pertenceriam a humanidade ou a um país (Tipo EUA)?...
Bem, eu acho que andei viajando na maionese neste post hahahaha Se eu não entendi nada vc me fala,tá?
Bjusssssssssss

 

Érick Delemon em 13 de abril de 2009 22:36

Lis, muito boa sua curiosidade! Não sou tão por dentro da minúcia do projeto. Mas o proggrama não tem acesso a nenhum dado seu, pelo menos teoricamente ele não altera nenhum funcionamento do computador ou de qualquer programa ou processo que realize, ele só utiliza a sua capacidade de processamento, da mesma forma que um jogo ou qualquer outro programa utiliza. E a transmissão são downloads que o programa faz, processa e faz upload, acredito que para a rede central sim. Mas não se trata de posse dos EUA, afinal o radiotelescópio está no México e o programa é resultado de uma universade, que esta sim, está nos EUA. Mas cada projeto tem sua(s) instituição(ões) de gerência, como a do LHC, acredito fica no CERN. E em geral, acredito que como faz parte de pesquisa das universidades e centros de pesquisa, ficam de posses dela. Abraços